segunda-feira, 12 de maio de 2008

CHUCHU ZUEIRO

chuchuzinho prantado na minha roseira , vai subindo, subindo, embrenhando pelos canto, fazendo sombra refrescando sugando caldo da terra servido com angu e quiabo na panela de pedra... êta que eu vi um chuchu se enroscando pro lado dumas rosera... tava todo atrevido soltanu uns espinho e um leite aguado desses que solta na mão quando se panha a fruta ainda verde no pé... É minino... lá vai ele, chuchuzeiro sem as vergonha, assanhando pelas frestas de luz... te digo que um dia ainda apanho esse cabra e sirvo quente na minha marmita...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

CABEÇA DE TERRA

MC²

As pessoas me pergunta qual meu nome e eu não sei... aliás eu sei sim... às vezes sou Sabrina, outras vezes minhoca, rosa, ponte, pé... Não gosto de ter um nome só não... prefiro ser o que eu quiser, conforme abre o dia já sei o que eu quero ser...Outro dia a mulher queria comprar comida pra mim, aí veio conversar querendo saber meu nome... ela tomou um susto porque naquele dia eu me chamava morte...ela foi embora correndo...
Também não tenho casa não, prefiro as paradas. Eu vou parando...mas nunca paro de andar... gosto de sai pela estrada, chegar numa parada... aí primeiro experimento a terra, se ela for boa fico uns tempo. O mais curioso é que num tem terra igual, cada uma é de um jeito, tem umas que são mais doce, outras mais salgada, tem umas colorida...Primeiro eu sinto na cabeça, ponho a terra na cabeça que é pra sentir suas vibrações, depois provo um pedaço...às vezes faço até um cigarrinho... Já aconteceu de prova a terra quando to indo embora e a terra tá diferente...quando isso acontece fico curiosa pra saber o que eles tão colocando nela...
A coisa que eu mais gosto de fazer é ver o sol escondendo atrás dos morro. Quando chega no final da tarde, gosto de parar, fica quietinha só olhando pro céu... dá uns barato muito louco, muito melhor que uns chás que a gente toma aí no meio do mato...Teve uma vez que achei que o sol tava dentro de mim...achei que ia derreter, começou a saí água do meu corpo todo... das costas, dos pé, dos olhos, achei que eu nunca mais ia para de escorrer.... Menino o negócio era bom demais... fiquei um tempão parada só escorrendo, depois parece que alguém tinha atiçado fogo em mim... saia pulando que nem um cabrito, rindo que nem bobo...tudo que olhava ria e tudo que via parecia que tava dentro de mim, eu era um tanto de coisa ao mesmo tempo...doidera doida demais...
Não gosto de ter medo, uma vez eu tive muito medo....tava na estrada de bobeira fazendo uma curva cumprida e bem fechada... um cachorro me resolve atravessar a estrada bem no meio da curva...aí veio um desses caminhão grande, sabe? É esses bichão grande que a roda é do tamanho da gente... aí o caminhão veio lenhado passou encima do cachorro e o cachorro explodiu, voou pedaço pra tudo conte lado... sabe bola de sabão quando estoura, quando ce vê num existe mais....não aguentei chegar perto... fui embora... mas fiquei com tanto medo que o espírito do bichinho viesse me perturba que acabei voltado lá, num tinha mais nada, mas ainda encontrei uns ossos num cascalho lá.... enterrei o bichinho, rezei e até cantei um hino:
“Vai com Deus bichinho, vai com Deus bichinho, vai com deus....em paz e com os anjinhos”.
Eu sou a rainha do sofá, já encontrei tanto sofá legal na rua, o último que achei era vermelho e grande, dava até pra ter uma coleção de sofá. As pessoas podiam adotar os sofás, eles devem se sentir muito abandonado...um dia ainda vou fazer um prédio de sofá, tem tanta gente que quer ter uma parada só sua...Esse povo que gosta de faze a rua de parada acaba bebendo demais, tão tudo podre de tanta cachaça é gente que pensa pouco ou já pensou demais aí fica tudo lelé...num são bom da cabeça porque fica parado, num anda nem um tequinho...acho que querem tudo ser estrela, fica aí na rua, um dia vem alguém aí grava os cara, e os cara vira artista, passa na televisão. Eu gosto de vê televisão, às vezes tem numas parada na beira da estrada...quando é assim fico vendo um tempão. Vi uma vez um menino loirinho, era um príncipe que cuidava de uma rosa, depois encontrava com a raposa... ele vivia num mundo diferente...depois que vi esse filme comecei a prestar mais atenção onde eu piso vai que to pisando numa flor...Eu gosto das novela também, só acho que tem muita gente ruim, né?
O povo das novela é muito invejoso, brigam por qualquer coisinha, se eu um dia encontrar com eles vou falar pra eles não ser tão assim ruim...
Eu sou boa roubo pouco, mato menos.
Pessoas escorrem pelos dedos,
bundas, nervos
Pessoas correm de medo
de perder o trem
correm de medo
de amar quem lhe quer bem

Pessoas que correm
escorrem olhares
frouxos velozes
tensos pobres

Escorrem pessoas dos prédios
sem história
desconexos
trôpegos de tédio

Pessoas escorrem
discorrem o trágico fim
de algum dia ensoparem
em qualquer canto vazio