quinta-feira, 14 de agosto de 2014

PARA ZÉS

Quantos anos tem aquilo que desconhecemos ?
Quanto tempo leva o vento para soprar as lembranças?
Se o tempo não passa de que morreríamos?
Enquanto esperamos ...buscamos...aquilo que se parecer ser o que não é ?
Com o tempo...
As pernas ficam duras ...
Se tem medo da queda ...
Se tem medo do alto...
Daquilo que guardamos  bem escondido e na ponta dos pés o protegemos.
São como algemas cálices de sangue desejo puro do instante interminável
São filosofias vãs de um mundo superlativo complexo,
Enquanto o ENCONTRO arrebata, sucumbi, transpira cheio de vida.
Uma ode ao insuperável ir e vir de se encontrar e se perder.
Um brinde ao ENCONTRO caprichoso e garantido. MC²

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Dor 
A dor quando chega 
Graceja por cantos bocas orelhas 
Sorri desdentada 
Arrepia os intestinos 
A dor lateja quando quer a morte 
Estilhaça nos céus sonhos ideais
A dor corta camadas 
Desnuda a alma 
Empalidece os olhos escuros 
A dor corrói, pui , inflama qualquer verdade absoluta
O dor ensandece.
Mata.
Cura.
MC²

terça-feira, 22 de abril de 2014

MEU CORPO É UM  INFINITO DE  LÁBIOS BOCAS PEITOS.       MC²
                           
Toda esperança cansada
ouve vozes
Todo coração partido
Muda o sentido
Já não se pode mais acreditar quando o fato é memória
Resto.

As flores murcharam de calor
As flores queimaram  no frio

Alimentar é saber combinar  as diferenças e suas propriedades

Vai longe céu
Cru azul passageiro
Os corvos desceram
Na estrada contas
Contos
Viveiros .
                MC²    

Paris , 24/03/2014    

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Que Há

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço..."


 Álvaro de Campos 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

 Em 2013, tive que aceitar a morte daquilo que está vivo, não obstante, o nosso calendário também representa ciclos de morte e vida. De fato, a lógica poderia ser outra mas... aqui estamos celebrando a passagem seja pela morte do passado ou pela expectativa do futuro. As representações sinalizam possíveis caminhos, dentro de nós sempre há um desejo de mudança. Gostaria , agora , de estar não só neste lugar mas em muitos outros ao mesmo tempo. Gostaria de não ser nada, apenas estar presente. Gostaria que minha mente e meu corpo estivessem em perfeita harmonia, sintonizados. Mas o que  me adianta achar que gostaria de algo sem que este exista? O que me adianta a a esperança se me tenho dividida entre o passado e o futuro?
 Ainda estou em 2013  e o tempo não existe . Se há como resolver todos os conflitos há de ser agora. Sem ressentimento, sem expectativas.Eu nunca fui e quiçá serei , eu permaneço sentada nesta cama em silêncio ouvindo o teclar do IPad. Eu insisto  que as palavras sejam tomadas pelas minhas mãos, e assim, meu esforço é presente, meu presente  para mim mesma. Eu me acostumo de novo comigo, eu me acaricio, eu toco meu sexo, eu sinto prazer comigo novamente, celebro a vida.
 Não quero desejar nada a ninguém porque desejo não se deseja se sente, mas espero que a morte encontre a vida ou muitas outras vidas.

domingo, 29 de setembro de 2013

Muitos outros mundos
mudos
são
espiral.

MC²

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Os dias são tao imprevisíveis ...
As noites muitos sons...
Cena:
Janela aberta de uma casa de vila , dois gatos de costas , mulher olhando no mesmo sentido, sons de avião. Sons de todas as partes;
SOLIDÃO
O tempo...dilatado...
tudo parece estar dentro, ecoando no vazio.
Por todas as partes lembranças, imagens, o corpo do outro...
Mas aqui dentro cabeça e corpo tentando se encontrar.
A dor,  PRINCÍPIO DA REALIDADE
O PRAZER...A SAUDADE...

TEMPO


tudo lento demais. É muito difícil matar aquilo que está vivo.
Ainda não é o momento de rascunhar, talvez sim.
Mas é preciso imprimir algo pra saber que estou aqui.

Corpo...


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SI FA CE


Si folópodo
Si falácio
Ce faláceas
Ce flastos tecuns pronobis
Si tocáceos enterius serius
Si floflacios,
Si misterius
plastos camus travos anderos metros caros

Si fudeos comis zerum
Censurados queres pastos
Castracéos
Sebáceos
Erum

Si si si florestáceos
Ecum
Ventre destres rarum


                  SP , 25/10/2010    MC²
Hoje depois de muito tempo sem escrever acabo de encontrar esse rascunho escondido há quase um ano mas é tão atual que estou assustada.


As palavras fugiram das minhas mãos,

precisaria driblá-las, metê-las a gol para conseguir cravá-las e  materializar toda essa dor.
Como não?
Estão vazando pelos meus poros, orifícios há tempos
Já não sei o que é memória de deslizar o roto lápis no papel.
Esqueci também quem fui
Talvez tenha uma vaga lembrança de quem sou.
Alteridade essa que me perturba.
Nunca o outro foi um poço tão escuro e profundo sem palavras, sem razão
Só
coração.
Tomar as palavras que possuem meus buracos agora, talvez, aliviem esse peso de amar sem medidas ou amar com tantas medidas.
Venham me possuir rainhas de meus lábios, coloquem em minha boca a saliva mais saborosa, o doce mais rico, o sal mais nutrido.
Só.