quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

 Em 2013, tive que aceitar a morte daquilo que está vivo, não obstante, o nosso calendário também representa ciclos de morte e vida. De fato, a lógica poderia ser outra mas... aqui estamos celebrando a passagem seja pela morte do passado ou pela expectativa do futuro. As representações sinalizam possíveis caminhos, dentro de nós sempre há um desejo de mudança. Gostaria , agora , de estar não só neste lugar mas em muitos outros ao mesmo tempo. Gostaria de não ser nada, apenas estar presente. Gostaria que minha mente e meu corpo estivessem em perfeita harmonia, sintonizados. Mas o que  me adianta achar que gostaria de algo sem que este exista? O que me adianta a a esperança se me tenho dividida entre o passado e o futuro?
 Ainda estou em 2013  e o tempo não existe . Se há como resolver todos os conflitos há de ser agora. Sem ressentimento, sem expectativas.Eu nunca fui e quiçá serei , eu permaneço sentada nesta cama em silêncio ouvindo o teclar do IPad. Eu insisto  que as palavras sejam tomadas pelas minhas mãos, e assim, meu esforço é presente, meu presente  para mim mesma. Eu me acostumo de novo comigo, eu me acaricio, eu toco meu sexo, eu sinto prazer comigo novamente, celebro a vida.
 Não quero desejar nada a ninguém porque desejo não se deseja se sente, mas espero que a morte encontre a vida ou muitas outras vidas.

domingo, 29 de setembro de 2013

Muitos outros mundos
mudos
são
espiral.

MC²

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Os dias são tao imprevisíveis ...
As noites muitos sons...
Cena:
Janela aberta de uma casa de vila , dois gatos de costas , mulher olhando no mesmo sentido, sons de avião. Sons de todas as partes;
SOLIDÃO
O tempo...dilatado...
tudo parece estar dentro, ecoando no vazio.
Por todas as partes lembranças, imagens, o corpo do outro...
Mas aqui dentro cabeça e corpo tentando se encontrar.
A dor,  PRINCÍPIO DA REALIDADE
O PRAZER...A SAUDADE...

TEMPO


tudo lento demais. É muito difícil matar aquilo que está vivo.
Ainda não é o momento de rascunhar, talvez sim.
Mas é preciso imprimir algo pra saber que estou aqui.

Corpo...


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SI FA CE


Si folópodo
Si falácio
Ce faláceas
Ce flastos tecuns pronobis
Si tocáceos enterius serius
Si floflacios,
Si misterius
plastos camus travos anderos metros caros

Si fudeos comis zerum
Censurados queres pastos
Castracéos
Sebáceos
Erum

Si si si florestáceos
Ecum
Ventre destres rarum


                  SP , 25/10/2010    MC²
Hoje depois de muito tempo sem escrever acabo de encontrar esse rascunho escondido há quase um ano mas é tão atual que estou assustada.


As palavras fugiram das minhas mãos,

precisaria driblá-las, metê-las a gol para conseguir cravá-las e  materializar toda essa dor.
Como não?
Estão vazando pelos meus poros, orifícios há tempos
Já não sei o que é memória de deslizar o roto lápis no papel.
Esqueci também quem fui
Talvez tenha uma vaga lembrança de quem sou.
Alteridade essa que me perturba.
Nunca o outro foi um poço tão escuro e profundo sem palavras, sem razão
Só
coração.
Tomar as palavras que possuem meus buracos agora, talvez, aliviem esse peso de amar sem medidas ou amar com tantas medidas.
Venham me possuir rainhas de meus lábios, coloquem em minha boca a saliva mais saborosa, o doce mais rico, o sal mais nutrido.
Só.


Mensagem de banheiro

" Não seja escravo do seu passado. Mergulhe em mares grandiosos , vá bem fundo e nade  até bem longe, e voltarás com respeito por si mesmo, com um novo vigor, com uma experiência a mais que explicará e superará a anterior"

segunda-feira, 4 de junho de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Que a LUA me proteja ! 

CONTA GOTAS

Faz tempo que não chove como hoje. A imobiliária não veio consertar  a infiltração. Já posso ver uma gotinha querendo brotar do teto para seguir seu curso parabólico e se dividir em tocs tocs pelo chão. Tá frio.  Cansada.
Caiu ! (observa lentamente) não vai ser a primeira certamente. Estava só esperando o show começar. Desse jeito não durmo hoje. 

Pausa 
A chuva começa engrossar , a casa é velha e tem madeira , o som é forte
Assustada , um tanto paralisada. Aos poucos toma coragem e  olha pela porta.

São coisas da sua cabeça!... Não tem ninguém aqui, só você! 

(medo, encolhendo-se em um canto, tempo)

Porque não tem ninguém? Nunca senti  isso antes. Se ao menos pudesse falar com alguém?

(tenta ligar mas a linhas estão congestionadas, As gotas começam a tomar força dentro  da casa)

Calma , vai passar . Daqui a pouco passa. Eu não entendo . Respira! Respira!
A chuva sempre foi um calmante, adorava dormir e sentir o cheiro de terra molhada. Não entendo o que aconteceu. Já não me encanta mais . E quando no céu se apronta  um temporal não quero voltar pra casa. Poderia ter feito hora extra no trabalho hoje. É como se,de repente, tudo inundasse. Me dá enjôo. Tô enjoada. 

(gotas caem simultaneamente e ela tenta secá-las com um pano)

Maldita imobiliária, isso é maldade. Essa casa deve ter alguma energia estranha, pode ser olho gordo.  Sei lá algum encosto. Vindo daquela bruxa advogada dona da imobiliária eu posso esperar tudo. Ela abusou da minha paciência, me pedindo documentos que quase não existiam para alugar essa casa. Quase adoeci por conta disso, virou uma guerra para ultrapassar os limites. Consegui . Mas agora estou aqui, as  gotas não param de cair . Essa chuva é pra noite toda. Será que aguento. Tá frio.
Vou fingir que não está acontecendo nada. Hoje é um dia muito quente, verão.  As pessoas estão nas ruas, nos botecos se divertindo. Qualquer coisa eu grito! Pronto eu grito.

( Medo vai crescendo e emudece. Dorme)
Acorda mais tarde com o barulho de muitas gotas caindo. Levanta-se desesperada. Traz baldes e panos para impedir o barulho. Começa a enxugar desesperada.
Reza , reza (para Sta. Bárbara) para esquecer seus pensamentos . Lembra de uma canção que sua mãe lhe ensinara. Canta cada vez mais alto para não ouvir seus pensamentos. No seu desespero, acha que está louca e que este é só o começo sem volta. Pensa na morte.

Mas sou tão jovem. Já não sou tão jovem. Ainda falta tempo. O que eu fiz esse tempo todo? Melhor morrer assim do que adoecer e sofrer. Tenho pavor de adoecer. Não, isso não vai acontecer. Melhor dormir de novo e acordar morta. Ninguém vai se lembrar de mim. Ninguém! Quem eu fui ? Ahhh eu me diverti. Mas se eu tivesse tido um filho pelo menos. Dois, talvez, e tivesse amado, agora teria alguém pra cuidar de mim. Eu quero que alguém cuide de mm. Cansei da solidão. Cansei  de ser depósito de um prazer esquecido. Uma fuga. Não quero fugir mais. Onde foi que eu enlouqueci e não percebi? Quem sobrou dessa batalha toda?

(tenta ligar mais uma vez, telefone ocupado)

Atende! Atende! Atente!  Grita!

(está quase toda molhada, o espaço alagado. Há água por todos os cantos compondo quase uma piscina. Olha a água, vê esperança! Esquece o frio, brinca com a água como uma criança)

Sede! (bebe a  água , acalma-se um pouco)
Sede!
Sede!

Surge sua criança, inconsequente, impulsiva. Brinca, brinca , brinca...e esquece.  MC²

domingo, 27 de maio de 2012


O JARDIM DAS DELÍCIAS

Em um tempo improvável e certo havia um mundo onde todos desfrutavam dos prazeres do amor de maneira livre, tudo era harmonioso, natureza e seus habitantes viviam de pura sinestesia, os desejos regiam o mundo de maneira espontânea e natural.  Quando a lua crescia os corpos se satisfaziam por longos períodos até adormecerem juntos comungando uma vida única e coletiva.  Um dia, antes que o sol se aconchegasse em seu quarto escuro, uma pedra foi atirada em um casal que se entregava as carícias mais deliciosas atingindo a cabeça de um deles.  Foi um alvoroço, todos atentaram para o acontecimento, logo em seguida outra pedra, alguém descobrira um enorme prazer em atirar pedras na cabeça dos outros.  Esse prazer foi se propagando rapidamente e, em pouco tempo, os seres desse mundo se tornaram sujeitos ávidos em  explorar o seu ambiente para construir muralhas, armas de guerra, inventar artifícios e tecnologias para  atingir o seu então; objeto de desejo.
                                                                               MC²= maria cecília mansur