Quem me dera poder te acabar em meu corpo
Destruir cada reticência do seu silêncio
Desobedecer seus segredos
Matar gota a gota sua ansiedade na saliva
Quem me dera tê-lo exausto em gemidos
póstumo em meus braços
respiração saltitante entre o peito
sexo dissolvido em mar revolto
Quem me dera ter como minha; sua língua
a procurar a mesma comida
os mesmos fonemas e poesias
nem sempre ditas mas sempre ouvidas
Quem me dera dissecar cada víscera
Provar o fel dos seu fígado
conhecer seus medos e ressentimentos
me excitar mesmo no seu tormento
Quem me dera descascar sua pele
dedilhar pêlo a pêlo em sentidos
suar suas lágrimas em sorrisos
Vestir seu frio desnudar seu arrepio
Quem me dera ter sua essência em centímetros.
quinta-feira, 19 de abril de 2018
terça-feira, 17 de abril de 2018
quarta-feira, 7 de março de 2018
Cabeça de Terra
MC²-
Maria Cecília
As
pessoas me pergunta qual meu nome e eu não sei... aliás eu sei sim... às vezes
sou Sabrina, outras vezes minhoca, rosa, ponte, pé... Não gosto de ter um nome
só não... prefiro ser o que eu quiser, conforme abre o dia já sei o que eu
quero ser...Outro dia a mulher queria comprar comida pra mim, aí veio conversar
querendo saber meu nome... ela tomou um susto porque naquele dia eu me chamava
morte...ela foi embora correndo...
Também não tenho casa não, prefiro as paradas.
Eu vou parando...mas nunca paro de andar... gosto de sai pela estrada, chegar
numa parada... aí primeiro experimento a terra, se ela for boa fico uns tempo.
O mais curioso é que num tem terra igual, cada uma é de um jeito, tem umas que
são mais doce, outras mais salgada, tem umas colorida...Primeiro eu sinto na
cabeça, ponho a terra na cabeça que é pra sentir suas vibrações, depois provo
um pedaço...às vezes faço até um cigarrinho... Já aconteceu de prova a terra
quando to indo embora e a terra tá diferente...quando isso acontece fico
curiosa pra saber o que eles tão colocando nela...
A coisa que eu mais gosto de fazer é ver o
sol escondendo atrás dos morro. Quando chega no final da tarde, gosto de parar,
fica quietinha só olhando pro céu... dá uns barato muito louco, muito melhor
que uns chás que a gente toma aí no meio do mato...Teve uma vez que achei que o
sol tava dentro de mim...achei que ia derreter, começou a saí água do meu corpo
todo... das costas, dos pé, dos olhos, achei que eu nunca mais ia para de
escorrer.... Menino o negócio era bom demais... fiquei um tempão parada só
escorrendo, depois parece que alguém tinha atiçado fogo em mim... saia pulando
que nem um cabrito, rindo que nem bobo...tudo que olhava ria e tudo que via
parecia que tava dentro de mim, eu era um tanto de coisa ao mesmo
tempo...doidera doida demais...
Não gosto de ter medo, uma vez eu tive
muito medo....tava na estrada de bobeira fazendo uma curva cumprida e bem
fechada... um cachorro me resolve atravessar a estrada bem no meio da
curva...aí veio um desses caminhão grande, sabe? É esses bichão grande que a
roda é do tamanho da gente... aí o caminhão veio lenhado passou encima do
cachorro e o cachorro explodiu, voou pedaço pra tudo conte lado... sabe bola de
sabão quando estoura, quando ce vê num existe mais....não aguentei chegar perto... fui embora... mas fiquei com
tanto medo que o espírito do bichinho viesse me perturba que acabei voltado lá,
num tinha mais nada, mas ainda encontrei uns ossos num cascalho lá.... enterrei
o bichinho, rezei e até cantei um hino:
“Vai com Deus bichinho, vai com Deus
bichinho, vai com deus....em paz e com
os anjinhos”.
Eu sou a rainha do sofá, já encontrei
tanto sofá legal na rua, o último que achei era vermelho e grande, dava até pra
ter uma coleção de sofá. As pessoas podiam adotar os sofás, eles devem se
sentir muito abandonado...um dia
ainda vou fazer um prédio de sofá, tem
tanta gente que quer ter uma parada só sua...Esse povo que gosta de faze a rua
de parada acaba bebendo demais, tão tudo podre de tanta cachaça é gente que
pensa pouco ou já pensou demais aí fica tudo lelé...num são bom da cabeça
porque fica parado, num anda nem um tequinho...acho que querem tudo ser
estrela, fica aí na rua, um dia vem alguém aí grava os cara, e os cara vira
artista, passa na televisão. Eu gosto de vê televisão, às vezes tem numas parada na beira da estrada...quando
é assim fico vendo um tempão. Vi uma vez um menino loirinho, era um príncipe
que cuidava de uma rosa, depois encontrava com a raposa... ele vivia num mundo
diferente...depois que vi esse filme comecei a prestar mais atenção onde eu
piso vai que to pisando numa flor...Eu gosto das novela também, só acho que tem
muita gente ruim, né?
O povo das novela é muito
invejoso, brigam por qualquer coisinha, se eu um dia encontrar com eles vou
falar pra eles não ser tão assim ruim...
Eu sou boa roubo pouco, mato
menos.
(...)
sábado, 24 de fevereiro de 2018
Dm³
Há dm³ que não consigo alcançar
Ela usa batom boca loca inocente
A paisagem continua indecente
Aliás incandecente
Passa a fresca na rodovia
Todos cansados embalados
No ronco do ônibus pifo
Saudades dos vôos livres no meu 4x4
Vontade de um potência que não volta mais
É preciso contemplar o instate
PNL
Coach
Vou atirar
Catar
Amassar
Me dê um cérebro que me dê prazer
Tô cheia da superfície que vicia
Redes sociais impossíveis
Vem amor imprevisto
Despe-me como louca varrida
Dá-me aquilo que não penso
Permita-me conhecer com os dedos
Os outros
Estão correndo em metas indiscretas
Paredes de plasma
Transformam pessoas em troços
Pedaços de qualquer lugar que seja
Idealizo Croioulo
No meu corpo
Com seu poema
Cinema
da trajédia de um povo problema
Dá-me um vento, um sopro de esperança
quero acreditar que é possível além,
sem a lei desse país contexto.
Enquanto não durmo vigio o sono vadio
Construo um mundo perdido
Como ter como um sem seu nem meu
Cem nomear
Sem mal compreender
É pra ser agora
Infinito em si
Em mim
Em ti
MC²
Ela usa batom boca loca inocente
A paisagem continua indecente
Aliás incandecente
Passa a fresca na rodovia
Todos cansados embalados
No ronco do ônibus pifo
Saudades dos vôos livres no meu 4x4
Vontade de um potência que não volta mais
É preciso contemplar o instate
PNL
Coach
Vou atirar
Catar
Amassar
Me dê um cérebro que me dê prazer
Tô cheia da superfície que vicia
Redes sociais impossíveis
Vem amor imprevisto
Despe-me como louca varrida
Dá-me aquilo que não penso
Permita-me conhecer com os dedos
Os outros
Estão correndo em metas indiscretas
Paredes de plasma
Transformam pessoas em troços
Pedaços de qualquer lugar que seja
Idealizo Croioulo
No meu corpo
Com seu poema
Cinema
da trajédia de um povo problema
Dá-me um vento, um sopro de esperança
quero acreditar que é possível além,
sem a lei desse país contexto.
Enquanto não durmo vigio o sono vadio
Construo um mundo perdido
Como ter como um sem seu nem meu
Cem nomear
Sem mal compreender
É pra ser agora
Infinito em si
Em mim
Em ti
MC²
domingo, 7 de janeiro de 2018
Durante um tempo e ainda hoje me escondo atrás daquilo que mais amo fazer; criar ... por vezes me escancaro, aliás essas vezes são maioria, mas também gosto de me esconder ... revelo o que autorizo, aquilo que ao olhar do outro pode ser desconsertante ou provocante ... GOSTÔSA tem me ensinado muito, ao longo desse tempo. E já faz 4 anos ... gratidão ... MC²
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
Refletir
Credo para quem quer ser
De lugar, haver de poder
encontrar algo que não dói e faz sentido
despejo um desejo árido parido
sem gosto e força pra viver
reagir...
não há luz suficiente que espere amanhecer esses dias de chuva
Como o suficiente,
não entrego fácil ao inimigo
cria de dias em cismas
cinzas
seu olhar despe-me como há tempos não sentia,
é frágil e delicado
cheio de mistérios correspondidos
desencontros surpreendidos
dores incuráveis
mordidas marcadas com tinta
Deixa ficar
sem querer esperar
sem sentir a partida do ir
deixa permanecer e
avistar juntos
horizontes desconhecidos
palavras esquecidas
melodias improváveis
sentidos incautos
varridos de nosso vocabulário inautido
Me apaixono por bruxas e estranhos
me arrependo
de ser ET.
mas não controlo essa sede da vida
do novo, daquilo que não posso ser
Eu vou ...
não tenho medo
estou só
como sempre,
ali passeam animais de tempo quente
Imaginei que você estivesse
a construir planos
e línguas aprendidas
mas você nunca foi
o que pensei. MC²
De lugar, haver de poder
encontrar algo que não dói e faz sentido
despejo um desejo árido parido
sem gosto e força pra viver
reagir...
não há luz suficiente que espere amanhecer esses dias de chuva
Como o suficiente,
não entrego fácil ao inimigo
cria de dias em cismas
cinzas
seu olhar despe-me como há tempos não sentia,
é frágil e delicado
cheio de mistérios correspondidos
desencontros surpreendidos
dores incuráveis
mordidas marcadas com tinta
Deixa ficar
sem querer esperar
sem sentir a partida do ir
deixa permanecer e
avistar juntos
horizontes desconhecidos
palavras esquecidas
melodias improváveis
sentidos incautos
varridos de nosso vocabulário inautido
Me apaixono por bruxas e estranhos
me arrependo
de ser ET.
mas não controlo essa sede da vida
do novo, daquilo que não posso ser
Eu vou ...
não tenho medo
estou só
como sempre,
ali passeam animais de tempo quente
Imaginei que você estivesse
a construir planos
e línguas aprendidas
mas você nunca foi
o que pensei. MC²
terça-feira, 26 de setembro de 2017
+ Umas...
Amor que desmancha
Mancha
Dói, reclama
Amor caminho sem volta
Aventura
Paz e desespero
Medo
Quando desinflama a chama
Amor não é firmamento
É auto conhecimento
Amor sem peso
Sem medidas
Ditas
Melhor com mordidas
Presença e desejo
Com remetente concreto
Em carta escrita com suor e saliva
Amor não se esquece
Permanece mesmo depois que adormece. MC²
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Perdi um poema que foi escrito pra mim naquele livro que venderam sem me pedir... Perdi um bocado de coisas ... mas ganhei tantas também ... Nessa história de se perder tem encontro também... tem descobertas, tem um negocinho que se sente quando você olha pra trás e percebe que a caminhada foi longa e perigosa...O sabor da conquista é único e pode até durar pouco mas é tão importante para ir a frente ... acreditar... Ando acreditando como há tempos não acreditava...
O poema foi de um boêmio, um dos primeiros caras que conheci em Sampa, ele se chamava Marcelo e andava com a turminha do Vidal, naquela época ainda existia o Café do Bexiga e foi lá que o conheci..
Era mais ou menos assim ...
" Se ser se como fosse
Se ser lia não seria
Cecília ... "
Um poema, um livro perdido e uma alma viva !!
Ahh o livro era "Monólogos da Vagina"
MC²
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