terça-feira, 26 de setembro de 2017

+ Umas...

Amor que desmancha
Mancha
Dói, reclama 
Amor caminho sem volta
Aventura 
Paz e desespero 
Medo
Quando desinflama a chama
Amor não é firmamento
É auto conhecimento
Amor sem peso
Sem medidas 
Ditas 
Melhor com mordidas
Presença e desejo 
Com remetente concreto 
Em carta escrita com suor e saliva
Amor não se esquece 
Permanece mesmo depois que adormece. MC²

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Não sou um rostinho bonito
Sou um poço sem fundo. MC²

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Perdi um poema que foi escrito pra mim naquele livro que venderam sem me pedir... Perdi um bocado de coisas ... mas ganhei tantas também ... Nessa história de se perder tem encontro também... tem descobertas, tem um negocinho que se sente quando você olha pra trás e percebe que a caminhada foi longa e perigosa...O sabor da conquista é único e pode até durar pouco mas é tão importante para ir a frente ... acreditar... Ando acreditando como há tempos não acreditava...
O poema foi de um boêmio, um dos primeiros caras que conheci em Sampa, ele se chamava Marcelo e andava com a turminha do Vidal, naquela época ainda existia o Café do Bexiga e foi lá que o conheci..

  Era mais ou menos assim ... 

 " Se ser se como fosse 
    Se ser lia não seria 
    Cecília ... "


Um poema, um livro perdido e uma alma viva !!

Ahh o livro era "Monólogos da Vagina"
                                                                 MC²

terça-feira, 9 de maio de 2017

G - Achei que você não curtia

B- Não é isso. Mas eu saquei quando você tentou esconder

G -  Eu não te conheço

B- Deixa pra lá. Agora você  faz e tá tudo certo

G - Eu não era assim  desse jeito, eu acho que mudei

B - A gente muda , é inevitável. Você acha que isso vai passar ? Não vai.

G-  Agora você vai sentar, precisamos conversar

B- Outro dia , já está tarde demais





















Simplesmente feliz ... Acordei e tenho acordado assim, feliz ... De repente, sinto-me forte, segura e viva como nunca! Acreditando e vivenciando o presente. Agradecendo pelos dias, pelo céu, lua, dia como nos velhos tempos... mas consciente de que sou outra. Obrigada vida!!!!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Se deve
As cartas embaralhadas na mesa
É ouros sem espada
É copas

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Escritos perdidos no tempo


Essa temporalidade abstrai qualquer pensamento. Enquanto a vida se  resolve pela sua própria  naturalidade de "ser" . É possível que algum material inconsciente escondido nos recônditos sóbrios das reminiscencias aflorem de maneira sublimatória, livre e até expressivas demais.
  A liberdade é assim, essa maneira desprotegida,inocente, artística, às vezes excludente. Embora a experiência acrescente enquanto saber e maturidade nunca se estará livre o suficiente para vivê-la. A juventude reforça os heróis, a revolução, o sonho que nessa fase da vida é a própria liberdade.
Como então não desejar o sonho ? E o por quê dessa fatalidade ? Se desconsiderarmos as influências sócio-culturais, onde estará a essência desse sonhar ?
   Me parece que o sonho tem um conteúdo extremamente burguês, afinal, o que podemos dizer do andarilho muito bem descrito por Nietzsche? O andarilho não sonha, vive o instante porque acredita na vida. Ele reconhece e aceita o sofrimento e se exalta com a beleza da natureza. Para ele viver um dia após o outro, nem sonho, nem metas. Simplesmente, a celebração da vida...
(Achei esse rascunho em uma pequena folha de papel há poucos dias, independente do conteúdo, a filosofia sempre me excita - imagino que deve ser algo entre 2005 -2008 )

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Minha alma empapada ... decerto que não a sinto, não a vejo tão nítida. Há um espanto com o tempo, uma discordância com os fatos. Difícil voltar atrás, difícil encontrar o que se foi ... Minhas pernas estão mais vigorosas, suportam mais o peso dos anos... eles são ... como tem que ser ... como se suporta ser...  Da experiência das coisas boas é muito raro conseguir esquecer... e ...poderia ser mais simples... 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

 
 
Um amigo uma vez disse que minha vida era mais interessante que minha arte.  Nunca mais esqueci e sempre me pergunto o que é o quê? Se eu vivo artisticamente ou se minha arte é viva eu realmente não sei. Parece estranho delimitar essas fronteiras. A criação, geralmente, vem de algo de que te atormenta, que te deixa em êxtase, que te provoca, que te instiga ... eu duvido das encomendas, prefiro expressões que deixam, mesmo timidamente, um rastro de sangue, uma dúvida. Durante esses últimos anos me debrucei sobre minhas querelas e dores, paguei e pago uma conta alta por optar em viver intensamente sem anestésicos. O mundo e as pessoas ao meu redor tomaram outras dimensões e densidades, o buraco ficou mais profundo e o tempo cruel. Me pergunto se foram as mudanças que me tornaram assim   ou se foi o peso das minhas histórias?  E são tantas ...me dá até ansiedade em querer escrevê-las. Não sei se concordam mas depois de um certo tempo na vida ficamos mais nostálgicos, olhamos para o passado como algo perseguido e desejado e sempre estamos comparando nossas responsabilidades de ontem com as de hoje. O passado é bom mas o presente ainda melhor, por muito tempo vivi dessa maneira mas algo aconteceu que não consigo me livrar das minhas memórias. Talvez seja um momento de se defender mais, pois o corpo já não é o mesmo como o corpo inflamado da juventude que tudo suporta, tudo interessa e deseja. Depois dos 30 é preciso fazer escolhas mais criteriosas, mais consistentes e de maior permanência, queremos mais qualidade nas relações à qualquer aventura. Os amigos que resistiram ao nosso lado, serão eles os maiores amigos de uma vida inteira, e preferimos nos dedicar e preocupar com eles a sair por aí enchendo a cara com qualquer um. Outra sensação; por estarmos mais vulneráveis a essa avalanche de informações do nossa contemporaneidade sempre estamos diante de uma roleta russa de emoções. Os segundos passaram a ser mais valorizados, é o tempo suficiente para saber quantos refugiados foram mortos, qual manifestação acontecerá, qual evento a participar e quantos amigos e conhecidos também curtem como você aquela informação. Você já se perguntou quantas pessoas passaram pela sua vida?
Você habita universos de pessoas dentro si e isso é fascinante. A arte é um artifício para falar da vida mas ela está contida dentro da vida...  Para perpetuar sendo um artista é preciso entender os momentos de voltar para a realidade em que precisamos saber cobrar, escrever, planejar, ensaiar e vender nossos projetos. Acho que é assim que muitos poucos artistas conseguem se manter. Sempre tive dificuldades em ganhar dinheiro, não foi por falta de trabalho ou dedicação, talvez pela dificuldade em me encaixar em padrões de comportamento, regras, limites, atingir metas, ser um perfil que executa tarefas, estar subordinado a alguém.  Ouvi algumas vezes que era um espírito livre... mas acho que há diferenças entre liberdade e impulsividade. De fato, não consigo viver representando algo que de fato não faz parte de mim.  Mas, ao contrário, sei que na criação artística isso já é possível. A arte está na representação dos papeis sociais que desempenhamos, a arte está através do olhar sensível e delicado que nos emociona, a arte está nas imagens do cotidiano enfadonho, a arte está nas buscas de outros sentidos para nossa existência, a arte está nas inúmeras mortes a que somos submetidos, a arte está entre a língua e todas as vísceras, a arte está como cura, como rebeldia e loucura, a arte está para a vida assim como a vida está para a arte.  Quem sabe a morte um dia separe obra e vida? Quem sabe o fim tenha um nome preciso mais preciso para isso que chamamos de arte?

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

COVARDE

A hora da chegada
É hora da partida
De tantos encontros e desencontros
Não houve saída que nos protegesse da chuva em nossas retinas

Silêncio do adeus

Mudo, torpe, como um cão embriagado pela fumaça
Cumpriu a trajetória entre dois pontos secos, sem profundidade
Como o riso solto
Que vasa, explode e resseca
Sem alterar o ritmo do vazio

Ali, sentado, assustado permanece pálido
Talvez, com nó nas tripas e  a goela seca
Os olhos não mais arqueados
Engolidos em lembranças de covardia

É hora de sentar a mesa
Melar o papel na tinta
Borrar o jorro desses dias mal comidos
Vomitar as ventosas
De sangue agora limpo. MC²  - 09/2016