segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Estar lá
Agora não tem ninguém
Daqui a pouco você vai estar lá
mas se veja lá
O espaço vazio
que você vai completar
é singelo, sensível
Ficar em contato consigo mesmo
Não corra
O vazio
Ficar no vazio
Branco, fundo , vazio
Estar vazio
no vazio
Branco e fundo
Tudo branco
com café preto
tomando todo dia
café preto
lá, todo dia
fumando
como todo dia
Fumando cigarro
sentada na sala
Todo dia
sentada
no vazio.MC²

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O ASSALTO


GALERA, VCS NÃO PODEM PERDER , ESSA PEÇA É MUITO BOA. TEXTO INCRÍVEL DE ZÉ VICENTE E EXCELETE ATUAÇÃO DOS MEUS QUERIDOS AMIGOS HAROLDO E FRAN... VENHAM CONFERIR....4 ESTRELINHAS NO GUIA DA FOLHA E VÁRIOS PRÊMIOS PELO MUNDO AFORA...
VAI ATE DIA 20/12 NO SATYROS 1 , SEXTAS E SÁBADOS ÀS 21H
ESPEROS VCS
BJOKITAS SARADINHAS
MC²

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Uma cerveja ainda é pouco pra amenizar a merda ansiosa de uma sexta feira... me contenho, viro o último gole da primeira ... ainda quero umas outras por aí . Em tempos de mudança de casa tenho costumado tomar uns e tantos goles sozinha curtindo Eldorado Fm, e agora, simples e total um "The Purple", privilégio de poucos hein? como tô a cara de um pub neste momento... A não, ouvir um Led é demais, putz vou é pra praia... ahhhh num dá tem trampo depois e depois... vou comer pão com linguiça acho que deve resolver essa adrenalina de não querer estar onde estou neste momento, digo lugar mesmo! Vou me mudar pra onde tenha pelo menos umas duas àrvores, vou acordar no domingo, pegar o jornal e ver as crianças na praça jogando uma pelada depois da missa... ué pode ter pastel da feira da esquina também , não tenho problemas com cheiro de peixe morto... vou aproveitar pra cumprimentar seu Carlos , o verdureiro que faz umas emboladas em tema de romance, pedí-lo o de sempre, um chumaço de rúcula fresca pra comer com tomate e frango grelhado...
A segunda breja já tá mais gelada, hummm corro risco de coma alcoólico hj... MC²

domingo, 9 de novembro de 2008

TANA JURAS

Arrevoada de tanajuras, mortas, estripadas as asas.Milhares delas espalhadas pelo parque, pelas calçadas, ares, quase compondo um cortejo de juras despresunsoças numa tarde de domingo na ZL da cidade de São Paulo.
Com amor qualquer arte é um prazer...
Tantas juras, Juras ânimas, Jurar com tantas bundas de Tanajuras.
Comer aquela farofa baiana, antropofagiar essas formigas de pele vermelha e asas douradas.
Quero ser Tanajura!
Aí vou jurar que o amor é diferente em cada pedaço da pele,
Vou colocar óculos escuros pra enxergar fotografia sépia com névoa primaveril
Vou abrir asas para sustentar o peso do corpo no ar
Vou espremer a cintura pra que as mãos possam sentir melhor minhas curvas
Quando a vespertinidade abaixar, pouso ao lado do beco.
Onde as baratas fazem festa, excitadas.
De súbito, são surprendidas com a beleza das minhas asas.
Ainda assim, deseperadas querem apenas sugar todo meu paladar pra deflagarem a indigestão crônica a que se submetem.
Vou subir.
Não posso, roubaram minhas voadeiras douradas e a destruiram com suas patas infectadas de mórbido oléo de cozinha
Aproximam.
Agora querem fritar minha bunda
Não.
Calculo uma reta por onde devo me atirar em disparada nos próximos segundos
Miro bem as entradas e saídas
Cuspo no chão armando a defensiva.
Vôo. MC²




terça-feira, 28 de outubro de 2008

Homem de cheiro corpo
muscular acelerado
feminino venicular
obscessão por espaços de objetos em risco
Hematomas
Línguas entrecortadas
Pernadas de bailarino
encontrando nadadeiras à fio. MC²


domingo, 5 de outubro de 2008

DENTES

Dentes Dantes tiveram
detidos pela língua presa em seus mundos heróicos
Espanto quando a arcada apodrecida expulsava seus filhos calcinados
Frágeis e inúteis caídos em meio a espuma branca da saliva adoecida tornavam


Dentes adentrados pelo tempo

marcadores da história do sujeito

afinadores de fonemas, sílabas, letras

Afiados para o alimento



Dentes brancos, amarelos, de leite

entes guardados em segredo

totem de origem do homem ancestral

calados no reino oral



Dentes pontudos, quadrados, tortos

colados, murados

espectros dos mundos internos

sensíveis à dureza externa

Dentes consisos, caninos,

identidade refluxa

do perecível e o permanente.MC²








sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Vazio, exposição, acontecimento, suficiente, desnudamento, desencobrimento, palavra, imagem da palavra, sensação, fenomenologia, gestalt, humano, paradigma, obra de arte, impulso, frear o impulso, singelo, nada, divino...MC²

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

" A LÍNGUA NÃO CABE NA BOCA"

sábado, 27 de setembro de 2008

Sobre:"Jardim de Tântalo"

Tô apaixonada pelo CORPO. ou será pela IMAGEM DO CORPO?
"Jardim de Tântalo é, na mitologia, um lugar em que, apesar de irreal, acontecem torturas e também no qual um personagem foi condenado pelos deuses a passar fome e sede por ter roubado seus manjares. Neste universo insano, as noções de tempo e espaço se apresentam completamente alteradas e, portanto, o real e o não-real confundem-se assombrosamente, a ponto de desencadear outro tipo de olhar, instaurando um elemento fascinante: o saber."

Acabo de chegar de um espetáculo de dança da Cia. Borelli chamado Jardim de Tântalo, me emocionei do começo ao fim. Incrível as composições de imagens, a simplicidade tão SUFICIENTE! Cada vez mais acredito na linguagem do corpo... ai o corpo... Fiquei lembrando de uma brincadeira na infância e a impressão é que já SABIA que um dia seria da arte... Improvisava cenas de uma professora maluca que entrava em cena numa coreografia cômica com seus alunos... Putz, hoje estou pensando, buscando ARTE...
A Imagem, a Imagem... putz...A Imagem....
MC²

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Dois maços de cigarro pra esperar o tempo ou superá-lo quando ainda resta o último cigarro do pacote?

Aliviar-se fazendo fumaça, secar alguma fonte ainda desconhecida de um mundo aquoso e impermeável. Contrair as víceras, dilatar o cérebro, trocar-se pelo incerto. O que seria fumar os cabelos da amada? Um barato excitantemente se ela tiver dreads...

Dois maços de cigarro... Tô precisando de uma caninha 51 pra aprumar o paladar de quem quer sentir a garganta como caminho, adentrar, plasmar celúlas abaixo, mitocondriar comigo até raiar os dias. Maços, maciços sólidos em matéria de veias, artérias, nervos quero apanhar, sem dilacerar a carne, sem espremer, sem desconfiança de pressionar pra provar se resiste, sem poluir com palavras. Vou soprar, olhar com raio x...Vou colher esses maços, intrelaçá-los nos dedos, fazê-los rodopiar no ar...Enquanto soltos, espalhados deslizantes sobre minha pele, caindo resistentes à gravidade um a um... A cada suspiro um maço me penetra em sons, estado, lágrima. Suspensa fico por maços em espasmódicos reflexos de fumaça, tiro.MC²

terça-feira, 16 de setembro de 2008

DEIXEI DE SER POUSADA AGORA SOU MORADA!!!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O PRAZER E O TEMPO

Àgua, Àgua... se os amores são líquidos não sei, mas não tenho dúvidas que na àgua muitas reflexões me vêem. Nadando imagino, reflito, crio tantas coisas... terapêutico o negócio... Hoje durante os 30 minutos de braçadas ininterruptas elaborei o seguinte pensameto fruto da observação das sensações do meu corpo:
Nos primeiros 15 minutos o meu corpo parecia estar dividido, conseguia sentir o esforço dos músculos através dos movimentos, a inspiração mais ansiosa e frequente necessária a cada duas braçadas e meia. A sensação de menor velocidade. Descarga de adrenalina
Nos seguintes 15 minutos, o corpo já mais relaxado sentia mais inteiro, o movimento mais fluido, reverberando por todo o corpo. Essa sintonia parecia até um automatismo sem esforço, como se o corpo seguisse sem pensar, sozinho.. A respiração mais tranquila, necessaria a cada quatro braçadas.Uma sensação de inteireza, totalidade começou a tomar conta de mim. Um prazer prolongado, endorfina na veia... e o TEMPO... parecia não passar mas eu não estava preocupada com ele, poderia ficar nesse estado por horas...
SIMMMMMM... O TEMPO esse monstro que criamos.Se o tempo está relacionado à essas sensações... ele também pode ser controlado pelos nosso hormônios...ou só ser tempo a partir das nossas sensações que são neuroquímicas...por exemplo: A adrenalina acelera alguns processos fisiológicos dando-nos a sensação que o tempo está também acelerado... mas quando a pessoa atinge os níveis de endorfina... o corpo gozando desacelera, presentifica, extende o tempo... dilata, suspende os instantes...o tempo quase parece não existir.
Ou seja,
HEDONISTICAMENTE vive-se mais... salve o prazer ENDORFINADO!!!! MC²

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Hoje

Dois maços de cigarro...

Me parece uma boa frase para começar escrever uma história...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

DE TUDO QUE FAVORECE O COITO

"Então, quando virdes os lábios da mulher tremerem e ficarem vermelhos, os olhos lânguidos, e os suspiros se sucederem mais rápidos - sabei que está no ponto para o coito, e que deveis meter-vos entre suas coxas, para que vosso membro lhe penetre a vagina...Se desejas o coito, deita a mulher no chão e cola-te ao peito dela, os lábios dela próximos ao teus; em seguida,aperta-te contra ti, aspira o hálito dela, morde-a; beija-lhe os seios, a barriga, os flancos, estreita-a em teus braços até fazê-la desfalecer de gozo; e quando vires que ela já chegou lá, introduz-lhe então teu membro. Se fizeres o que digo, o prazer chegará aos dois simultaneamente. É isso que torna tão doce o gozo da mulher. Mas, se não deres ouvidos aos meus conselhos, ela não ficará satisfeita, e não lhe haverás propiciado prazer algum."

("O Jardim Perfumado"-Xeique Nefzaui)





sábado, 30 de agosto de 2008

NON, JE NE REGRETTE RIEN

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu'on m'a fait,
ni le mal,
tout ça m'est bien égal.

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien,
C'est payé, balayé, oublié,
je me fous du passé.

Avec mes souvenirs,
j'ai allumé le feu.
Mes chagrins mes plaisirs,
je n'ai plus besoin d'eux.

Balayés mes amours,
avec leurs trémolos.
Balayés pour toujoursje repars à zéro...

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu'on m'a fait,
ni le mal,
tout ça m'est bien égal.

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien.
Car ma vie, car mes joies,
Pour aujourd'huiça commence avec toi


Não , absolutamente nada
Não, eu nao lamento nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal
Isso tudo me é indiferente
Não, absolutamente nada
Não, eu não lamento nada
Está pago, varrido, esquecido
Dane-se o passado
Com minhas lembranças
Acendi o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles
Varridos os amores
Com todos os seus tremores
Varridos para sempre
Vou recomeçar do zero
Não, absolutamente nada

Nem o mal
Isso tudo me é indiferente

Não, absolutamente nada
Não, eu nao lamento nada

POis minha vida
POis minhas alegrias
Hoje
Isso tudo começa com você.

# MC²

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Diário Nekrópolis

Vou talkar no modo best
cum mud de saudar, saudar, saudar
as palavras que sai do cu da boca de ule
pois o nois necessita de parla cum sangue quente
de artista que goza e peida diferente di ules
esse grito que desce goela abaixo é mais seguro que o de antes engasgado nas tripa muda
ESTIRPE já deu começo
o fim do começo só em março

AHHAHHAHHAHHAA
Assim falou MC²

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Leito Líquido

Madrugada, a cama está fervendo.Levanto, ando pela casa, o sono está longe...
Na cozinha, deslizo minhas mãos pelo puxador da geladeira impulsionando a porta. A luz sai e destaca-se no escuro da noite. Abro o congelador, retiro a fôrma de gelo deslocando os cubos sobre a pia, só o calor das mãos é suficiente para fazê-los dançar encima do mármore. Apanho um dos cubos, chupo.Escorrego o gelo pela boca, nuca, seios, barriga, ventre. O gelo derrete suavemente pelo meu corpo tornando-o fluido... Vou roçando os cantos mais pontiagudos do cômodo frio, pesando aos pés da mesa, apoiando os pés nas gavetas do armário. Corro as mãos pela fruteira e encontro uma maçã ainda fresca da feira, sinto o cheiro e abocanho com uma vontade ansiosa de ter que mastigar e sentir a saliva crescida líquida. Percebo as diversas temperaturas, texturas...


O gelo virou água escorrida, virou leito para a consumação do desejo. Meu sexo arde, treme, toco-o com delicadeza. Seguro meus quadris mais alto e vou contraindo os músculos das coxas, virilha...Deixo o ar entrar suavemente por cada poro, relaxando as tensões e, ao mesmo tempo, mantendo meu corpo ardente, latejo. Apóio minhas pernas no tamborete, meus dedos deslizam atráves da umidade, alterno os movimentos segurando forte o clitóris. Massageio toda a região, às vezes fricciono de tal maneira... como se quisesse arrancar-me e te dar como presente confeccionado pelas minhas próprias mãos.


Estou presa num circuito elétrico. Viva!!!!


Suo, suo sua falta. Quero abortar este sexo que te deseja. Quero sangrar-me por você!


Por que não está aqui?


Olha o que fiz... Estou ficando louca. Já não consigo pensar em mais nada. Não trabalho, não como, não descanso, só me maltrato. Me masturbo pensando em você deitado com sua mulher. Sinto seu cheiro impregnado no meu corpo, no travesseiro, na toalha que nunca lavei depois da sua última visita.Estou doente. Você é tudo. É minha desgraça.


.


.


.



O corpo esfriou. Preciso comer mas a geladeira está vazia.


Volto pra cama, meu espírito está quieto por enquanto. MC²




quinta-feira, 21 de agosto de 2008

TEMPO MOSCA

Moscas e pele verde
Invadem casas, praças, becos
São montantes, amontoados,
Engasgados, trôpegos

Indigentes, gritam rouco
Abanam os insetos dos excrementos
Convive papelão, pixe, cobertor São Vicente
Escarro do rico no seu Mercedes Bens

Não há 3 Mosqueteiros
Apenas moscas no acostamento:
Criando bicheiras
Pairando espaços
Zombando as regras

As moscas se alimentam
comendo resto
Do resto insatisfeito. MC²

domingo, 17 de agosto de 2008

OLHA A FAIXA!!!

Não se pode ultrapassar a faixa!!!!

A faixa da mediocridade,da insensatez, da dureza das pessoas...

Não ultrapasse a faixa das emoções

Contenha-se,

Distancie

Reflita a longas distâncias sobre o novo, é uma ameaça!

Fale baixo

Economia nas palavras

Arrume toda a sua casa sem se envolver com o lixo que você mesmo produziu durante as duas semanas de masturbação filosófica, ahhh sem esquecer de separá-lo, pois estamos numa era de coleta seletiva, fica muito deselegante ultrapassar a faixa dos orgânicos e reaproveitáveis reciclados resignados.
Delete o que é bom, uma memória desapegada não ressente, adoece de IN chaço apenas.

In chaço de NADA que forma bolhas de ar inúteis dentro do corpo, moléstia crônica que aparentemente, dá um suave barato, mas podendo ser irreversível quando em contato com seres de baixa densidade espiritual.

Olha a faixa!!!

Ela costuma ficar pregada na testa, mas está em todos os lugares...principalmente nos psicotrópicos de baixa entropia usados para contenção dos prazeres ditos desnecessários...

Segure os caes com coleiras seguras... os domésticos não são confiáveis, carencem de eternos condicionamentos e deliberações burocráticas. Se por acaso, nascerem-lhe muitos pêlos, depile-os com cera quente que é pra abrir os pôros sem deixar vestígios de abcessos encravados rebeldes, afinal, eles incomodam, inflamam podendo ser a causa de cânceres violentos.

Olha a faixa da boca, se exagerar no batom, pode manchar roupas e peles secas. A cor é sempre uma transgressão a faixa. Os beijos estalados são mais modernos que os molhados tarados, é brega ultrapassar a faixa da salivação. Emoção, alguma, é bom pra vida coletiva, invista nas interjeições AHHH, OHH, BEM, ORA... são mais acertivas e comunicam mais...

NÃO SENTIR É MELHOR ANESTÉSICO PRA QUEM PENSA DEMAIS...MC²





segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Tá passando...

Que só de dizer que os dias vão retomando ao seu estado natural, dá arrepio.
A euforia, o corpo quente esfria com o passar dos dias chuvosos. Aqui no 4x4, a distância aumenta, o assunto esgarça na aritmética da tela plana sem profundidade, sem rosto, sem voz, sem você fla flu. Mas a lembrança ainda viva motiva, reaviva as relações com a cidade, com o trabalho, com o futuro, podendo ainda pingar dedos de certezas colhidas. É só esperar na corrida.
Não sei porque só faço rimas terminadas em A ou O.MC²

domingo, 10 de agosto de 2008

TROCANDO A PELE

A PELE DA CARA ESFARELANDO
SALVE A MUDA!!!

sábado, 9 de agosto de 2008

HISTERRÓIDA

Eu sofro…. Tenho prisão de ventre… intestino preso. Sou encalhada, entupida como queiram chamar... Conheço praticamente todas as ervas, supositórios, laxantes, lavangens, simpatias, tudo que vocês possam imaginar já tentei pra me curar desse mal, dessa doença.
Uns falam que o problema é genético, outros dizem que o negócio é psicológico ou hábito. Não sei. Acho que é tudo junto...Uma vez um especialista disse que os intestinos da minha família são grandes demais, por isso nosso potencial de descarga seja mais lento. Vai vê que ele está certo mesmo... Enquanto as pessoas bem resolvidas com isso passam um fax eu envio carta simples mesmo pra chegar só depois de três dias e olhe lá, hein?
É estranho... as pessoas parecem ter preconceito, pudor pra falar desse assunto, né? Algumas pessoas mais solenes, então não cagam ECAVUAM, DEFECAM. Nossa!!! tem palavra mais feia que essa EVACUA. Me lembra aqueles filmes de ação: Evacuar a área, evacuar a área... Se eu evacuar área, será que eu tô cagando no lugar?
Sabe, tenho uma inveja de viado, mas muita mesmo... eles lidam tão bem com essas coisas, né? Aliás os homens de maneira geral... mas essa já é outra discussão...(pausa)
Ahhh! Querem saber mesmo, os homens adoram um carinho lá no benedito.Eu duvido que alguém negue isso. Se eu estiver errada é agora hora de se manifestar. (cortando qualquer tipo de interação)
Bom, depois de tantos métodos, drogas, cismei que a solução era dá o cu mesmo, não teria como escapar... É...imaginem um lugar sacralizado a vida toda que não consegue cumprir as tarefas simples do dia-a-dia ter que assumir uma missão quase impossível... Quanto sofrimento, meu Deus... e paciência. Pra decidir dá cu levaram meses e meses. No começo eles até que tentam, aí você sempre encontra uma desculpa dizendo que ainda é cedo pra esse tipo de transa que exige maior intimidade no relacionamento. Na verdade, a gente tem medo, nunca sabemos se é a pessoa certa. Como se da o cu exigisse uma qualificação top de linha. Tenho umas amigas que sempre dizem: Você precisa escolher a pessoa certa, alguém que vai ter um jeitinho, que não vai te machucar... Pra mim não tem nada disso, preferia mesmo um pinto pequeno pra começar... nesse caso o menor é mais adequado e seguro. É uma contravenção mas vai fazer o quê? A verdade é que quando você percebe já casou e nunca conseguiu dar uma variada no cardápio e pode ser que o marido vai resolver seu fetiche em outro lugar, com outro alguém, sabe-se lá com uma boneca que pinta melhor que você...
Descobri que tenho muita inveja mesmo de quem faz o negócio e gosta... e tem gente que faz muito bem, né? Outro dia, nessa busca neurótica pelo aprendizado do negócio. É... teve uma fase que eu tentei mais obsessivamente, evidentemente, pra segurar um namoro de cinco anos... Então, eu e meu namorado fomos para o motel e aquele dia era o dia D, estava decidida, custasse o que custasse. Depois de umas brincadeirinhas aqui, ali, ligue a TV no canal 3... tava rolando uma cena legal... dois caras comendo uma mina... Comecei a empolgar e o negócio começou a esquentar. Enquanto isso, meu namorado delicadamente fazia um carinho... tava tudo indo bem até o momento que um dos caras que comia o forebis da mina tirou rapidamente e a câmera deu um close no benedito da mulher mostrando aquele buraco enorme que fica depois da penetração. Mas o pior não foi isso...Entrei em pânico quando depois disso o cara disse: Pisca vagabunda!
A mulher abriu e fechou o buraco virtuosamente, com primor! E eu senti aquilo como se fosse comigo. De repente foi uma aflição tão grande que comecei a chorar e saí correndo pro banheiro desesperada, fui direto pra privada. Chorei muito... de soluçar. Depois desse dia percebi que realmente não levo jeito pra coisa. Falta-me habilidade, acho que tem gente que nasce pra coisa. Me conformei com aquele discurso médico: “Pra quê colocar alguma coisa num lugar que é pra sair?”... Sei lá, quem sabe um dia eu consigo. Acredito que vai ser só daqui alguns anos. Dizem que depois de uma certa idade o negócio relaxa. Acho que é verdade. Alguns anos atrás, quer dizer há alguns bons anos atrás, toda noite do meu quarto ouvia meus pais conversarem, rirem e peidarem. Pra cada risada era um peido. Começava baixinho e ia aumentando o volume, mas isso variava conforme o assunto que conversavam. Eu e minhas irmãs achávamos aquilo absurdo mas minha mãe dizia: “Minha filha depois de velha o cu relaxa, a gente não controla mais”. Só hoje compreendo... afinal, pra virar aquela sinfonia de peido tinha que ser bem relaxado mesmo.
Meu pai, um guerreiro que teve que conviver com quatro mulheres durante sua vida é autor de uma das frases mais sábias que já ouvi: “Uma mulher cagada vale por mil” Essa merecia estar num desses livros de frases que eternizaram na história. Aliás, o meu pai é um cara que vai ficar pra história, agüentar quatro mulheres histéricas e entupidas é, de fato, uma batalha vencida. Acho que ele aceitou o desafio consciente da situação, afinal, era primo da minha mãe, já tinha paquerado outras irmãs dela, sabia que daquele mato só saia fêmea. Entrou nessa porque Deus não dá um cu...ohhh deculpem-me uma cruz maior do que a gente pode carregar.
Agora, isso de ter só mulher na minha família, tirando algumas raras exceções...vamos ver... uma proporção de 1 homem pra 20 mulheres é bem sintomático esse número não acham? Do jeito que as coisas tão indo isso já é realidade universal. Em pouco tempo tudo que eu tô dizendo aqui vai servir pra humanidade, a mulherada vai comandar. Homens, atenção! Vocês precisam preservar a espécie masculina pro isso uma dica: Trepem mais com mulheres e façam mais filhos machos! Tá ficando feio pro lado de vocês. Estou desabafando mesmo porque já fui traída duas vezes, as duas fui trocada por outro homem. Desse jeito, mulher que for inteligente vai saber estocar marido pra vender no câmbio negro. Economia doméstica será o grande business minha gente! Me perdoem as feministas, as executivas mas estou falando da grande revolução do séc XXI; “A grande volta ao lar”, “ O regresso de Amélia”, “ O retorno dos fogões voadores”. Lembram? “Vassouras Princesinha, a rainha do lar?” Vocês podem notar; têm mais propaganda de produtos de limpeza, utensílios pra casa. Inclusive aumentou consideravelmente também o número de propagandas de laxante, iogurtes pra cagar... Vocês acham que isso não significa alguma coisa? É claro que sim! A volta ao lar aumenta a neurose dos intestinos, a histeria então...Vocês não sabem o que uma mulher sozinha é capaz de fazer com uma vassoura, enfezada,então...
Hoje em dia virou moda falar de TPM. Todo dia tem livro sendo lançado, discussões em programas de TV. Enfim, encontrou-se um jeito de explicar a mulher pela TPM. Qualquer tiquizinho já é a tal TPM, até crime passional pode ser justificado pela TPM. Mas eu acho que as pessoas deveriam falar também da TMP (Tensão da Merda Presa). Sem dúvida, as pessoas não vão querer falar disso. Mas acreditem, existe e pode ser tão patológico quanto a TPM. Na minha família, por exemplo, ninguém quase matou outra pessoa, mas já houveram casos de morte de animais domésticos, agressão física a marido, espancamento de filhos, destruição completa das mobílias da casa, surra na empregada, dentre outras.Nada tão grave assim, no entanto, precisamos falar mais sobre a TMP, essa doença pode deixar marcas indeléveis e o que é pior atacar as hemorróidas. Pronto, chegamos no ponto crucial dessa palestra: Criar consciência que essa doença pode ser muito mais terrível do que parece. Hemorróidas não são tão simples assim. É uma flor que brota do âmago dos nossos intestinos, entretanto, não são como margaridas ou beijinhos no jardim, são autenticas bromélias no semi-árido. Incomodam, ressecam, queimam e o que é pior espetam, não dá pra sentar. Uma vez uma amiga teve e me contou que tudo que ela mais queria era um ventilador debaixo das pernas pra aliviar a queimação. Imaginem a paúra estar entupida e toda desabrochada por baixo?
Vocês devem estar achando que depois de Monólogos da Vagina e Monólogos do Pênis esse é o Monólogo do Anus, engano. Esse não pretende nenhuma das alternativas acima, tanto porque estou falando sobre a relação das mulheres com a bosta e quais os danos e patologias pode acarretar em suas vidas... Digamos que esse seja um conflito fisico psíquico e seu diagnostico chama-se histerroidia, ou seja, a mulher que sofre desse mal e chamada de histerroida – histeria/ hemorroida- (faz sinal com as mãos simulando a relação das coisas como se o publico compreendesse).
Portanto, meus caros estou propondo uma nova nomenclatura cientifica baseada em fatos reais. É preciso que as pessoas tomem consciência dessa doença e percebam que ela abrange uma grande parte da população feminina e sua incidência é quase infinita. São vários casos que nos chamam a atenção por isso procurem nosso grupo de apoio: CAPSTMP Centro de Atendimento aos Portadores da Síndrome Tensão da Merda Presa. Lá você ira encontrar uma luz nesse túnel escuro e entupido. Acreditem tudo que entra sai. Nosso e-mail de contato e tensãodamerdapresa@hotmail.com. MC²

DIA QUADRADO


Nos dias quentes de verão em São Paulo os portões de aço dos condomínios podem emperrar devido a dilatação do ferro e conseqüente falta de espaço, pois duas matérias não podem ocupar o mesmo espaço. Não muito raro, o caos da grande metrópole pode ser entendido pela mesma lógica, os corpos fogem-se ao mesmo tempo que espremem-se por um poder de atração que se não for o calor, sabe-se lá o que pode ser. Interesse em ficar aglomerado, massificado, amassado? Talvez uma pujança em reviver algum arquétipo de guerra.
Os aglomerados calorentos embotados em paletós virtuosos, geralmente cinzas, circunscrevem os mesmos espaços, percorrem os mesmos itinerários em autos blindados, espelhados pelas colunas verticais de motivo bancário, executivo quase sempre.
A mulher de uma dessas muralhas espelhadas retirou-se seguindo seu curso para outro vertical pré-fabricado, estilo financiou entrou. Era mais um dia, diferente do outro, afinal os clientes eram novos, o papel da impressão acabou, a senhora da faxina cortou os cabelos, mas a mulher habituada a sua rotina não percebeu. Apenas uma coisa a motivava fazer tudo aquilo: a vontade que acabasse aquele e todos os outros dias de trabalho. Saiu iluminada pelos espelhos do prédio que refletiam o sol ainda vivo cá fora, de cabeça baixa e com uma bolsa gigante, olhou a tarde e não teve vontade alguma, a não ser ir pra casa. Passou em uma padaria comprou pães frescos, algumas latinhas de cerveja e um Babalu. Adorava Babalu.
Seguiu pra casa a pé, teve a mesma vontade de sempre, de tirar os saltos e jogá-los no primeiro carro que parasse no semáforo, mas, como de costume se conteve. Abriu o Babalu, colocou na boca e sentiu o prazer de mascar exageradamente como uma adolescente aquela massa espessa do chicletes sabor tuti-fruti.
Cumprimentou o porteiro mesmo sabendo que a observava sempre pela câmera do elevador. Abriu a porta do lar, apanhou algumas correspondências jogadas debaixo da porta, tirou os saltos atirando-os pra qualquer canto, colocou as correspondências encima da mesa, foi a cozinha. De cá da sala, ouvia-se o barulho do abrir e fechar da geladeira, da água escorrendo pela torneira da pia em atrito com uma pilha de pratos sujos há semanas, do ssshhhhiiiku da latinha de cerveja quando abre. A mulher voltou deu um gole na cerveja, abriu a janela, espalhou-se pelo sofá tirando a roupa até ficar só de calcinha e no silêncio ficou.......................................................................................................................................por alguns instantes. De frente para uma estante observava alguns retratos, se ateve a uma foto de infância na qual brincava com amiguinhos numa piscina Regan dessas que se coloca no quintal de casa quando se mora em casa e depois de poucos dias, se não troca a água, aparecem larvas pretinhas que podem ser que se transformem em girinos, quem sabe enormes animais aquáticos. A mulher lembrou dos momentos felizes que tivera naquela piscina, reviveu a sensação da água fresca da mangueira que enchia a piscina, dos vários tipos de pega-pega, das competições de quem ficava mais tempo debaixo d’água e das broncas da mãe quando se aventuravam a subir pela fraca estrutura de tubos da piscina para saltar e ver aquela quantidade toda de água se espalhar no ar pra fora da piscina... Em meio a saudosas lembranças teve a brilhante idéia de se refrescar como na infância. Trocou de roupa rapidamente, pegou a carteira, os chinelos e saiu em disparada...
A mulher voltou com um embrulho comprido nas mãos, tirou os chinelos, desembrulhou ouvindo quase uma sinfonieta de tubos rolando pelo chão da pequena sala do apartamento, tomou o manual de instruções, abriu mais um babalu levando-o a boca, leu o manual identificando as peças. Separou-as pela forma. Levantou-se olhou os conjuntos imaginando os possíveis encaixes, pegou a lona grossa e decorada com peixinhos coloridos e outros motivos marinhos, abriu, deitou sobre ela sentido o cheiro de borracha nova, respirou fundo fechando os olhos, sorriu. Sentia seu corpo como era na infância, denso, pele macia. Depois então de um dia de banho na piscina Regan sua pele ficava vermelha, seu rosto ardia, sua fome aumentava, e depois de saciada por um pão com mortadela e suco de caju TANG acabava adormecendo na frente da televisão, o sono era quase infinito. Na infância os desejos eram facilmente satisfeitos, ter disposição para brincar, fazer pirraça, se machucar é o que se precisava pra estar feliz. Na infância o corpo não pensa apenas flui, quando cresce a cabeça manipula, enlouquece, adoece o corpo.A mulher sentia suas coxas troncudas de criança, a pele lisa. Tocou suas coxas, apertando, a textura já não era a mesma, podia sentir a pele mais flácida se espalhando pelos dedos. Com a pontas dos dedos percorreu seus quadris, virilha, barriga, apalpou os seios com força não acreditando que passara tanto tempo, subiu pelo pescoço até reconhecer seu rosto.Teve a certeza que crescera pela textura da pele ressecada e irritada de sabão em pó nas maõs, além disso cheirava a água sanitária. Lembrou que suas calcinhas estavam de molho no mesmo produto há mais de uma semana. Fora uma breve lembrança insuficiente para tirar-lhe daquele transe. Respirou fundo, abriu os olhos, observou algumas bolores que começavam a se formar no canto direito da sala. Levantou-se num ligeiro suspiro arrepio medroso de não saber quem era. Por alguns instantes tudo apagara da sua memória, não sabia se estava ali, não sabia se habitava aquele e corpo, e quase guturalmente, perguntava-se: “Será que eu sou eu mesma”. Um lapso, rápido logo voltou a si. Não sabia como, mas de repente sentia-se tomada por essa condição entorpecente, notava que algo acontecia e nunca era a mesma. Esses momentos sempre aconteceram na sua vida, até na infância. No entanto, fazia tempo que não tinha essa experiência. Achou uma boa hora para abrir uma cerveja.
Os tempos, as horas, passagens mórbidas ou fascinantes, a cerveja no congelador, as lembranças escapando pelos poros magnetizando o ambiente. Uma caixa, uma mente, um congelador. A álcool refrescando a goela e a cuca quente.
Dessa vez, sem precisar ler as instruções a mulher ia encaixando as barras de ferro facilmente, aos poucos a forma retangular da piscina aparecia. Em alguns minutos estava pronta, a piscina compondo uma decoração especial no centro da sala do pequeno apartamento. Depois de pronta, um suspiro, a obra estava quase completa. Ansiosa a mulher correu até a área de serviço e percebeu que precisava de uma mangueira, com o único balde que tinha demoraria muito tempo para enchê-la. Procurou o zelador que curiosamente queria saber o que faria como uma mangueira, mas a mulher segredou o assunto da piscina dizendo que estava fazendo uma faxina na cozinha. O argumento era justo mas não convenceu o moço, recomendando que o desperdício de água seria notável na conta do condomínio e que pagaria por isso. A mulher sorridente concordou, apanhou os metros de mangueira vermelha com esforço, colocou-os no elevador, subiu para o décimo terceiro andar. Chegou em casa esbaforida, conectou a mangueira puxando a ponta até a sala. No meio do caminho foi surpreendida por vários barulhos, no seu desespero a borracha saiu dando rasteira nos objetos mais leves assim como utensílios de limpeza, uma fruteira com algumas cebolas, e um vaso de louça chinesa que ganhara da sua mãe falecida. Parou numa pausa breve, observou os estragos, olhou tristemente para a louça quebrada, voltou para a piscina colocando o bico da mangueira dentro dela. Correu atropelando os cacos, as cebolas. Sentiu uma forte emoção ao ligar a torneira e ouvir o barulho da água percorrendo a borracha. Finalmente a água escorria enchendo a piscina. A mulher entrou no quadrado azul colorido tirando a roupa, sentou-se tomando a borracha e espremendo um jato d’água no corpo. Sentia-se aliviada apesar de ainda sentir o chão duro sob as nádegas. Resolveu sair e voltar outra hora, quando pudesse, de fato, sentir-se flutuante. Molhada foi até o banheiro, enxugou-se numa toalha branca encardida. Vestiu calcinha limpa atirou-se na cama como se estivesse ensaiando um pulo virtuoso na sua nova piscina. Aí ficou com a cabeça afundada no travesseiro. MC²

UNHAS AMARELAS

Unhas amarelas, pós esmalte vermelho. Reação alérgica, excesso de betacaroteno? Tô ficando amarela, constato. Será que depois da fase primária das cores consigo alcançar complexos roxos esverdeados? Uma amiga olhou para minhas unhas e, mesmo sendo sempre do contra, tive que concordar com ela: "Parece que ce ta doente"...Acho que o amarelo quer dizer muito na minha vida, aliás, já fiquei amarela em outras épocas a base de salada de cenoura, beterraba, atum e pão integral... Nossa! a planta do pé, as curvinhas das dobras do joelho, as mãos eram amarelas ouro. Levou um tempo pra sair da fase hepatitóide... Esquece, se alguém perguntar é melhor dizer que ando fumando muito, dixavando muita maconha... prefiro.
Por falar em cores, hoje o cinza paulista está solitude contemplativa...depois que cheguei do Rio, só hoje aterrizei na Paulicéa ao perceber a garoa nas andanças pela Luz,perpassando a Pinacoteca depois de um almocinho na casa de Rama e Onésimo e devo assumir que ak também é meu lugar. Não devo negar que o Rio balançou comigo. Havia mais de quatro anos sem mudar o itinerário SP-MG de férias, por isso só não poderia ser a melhor coisa que fiz este ano.
Ahhh!!! Rio de paixões, corpo aberto...ainda te devoro, rio...me aguarde. MC²

domingo, 22 de junho de 2008

Quem? Não!! Outro.

Tô publicando esse negócio que escrevi outro dia, num terminei mas, de repente, alguém dá sugestão, acho que pode virar um conto, saka?
Quem e Outro é o nome mesmo das personagens


Enquanto o Outro andava pelas coxas, saraculexando a bengala gasta pelas beradas da calçada suja, Quem pingava fogo nas cadeiras de uma rapariga numa esquina do centro velho da cidade. Fazia frio de arranhar os dentes e os cabelos...Outro só saia de casa para fazer aquilo que fosse sobrevivência assim como reabastecimento de alimentos, porque comer mesmo comia mal, tinha preguiça de cozinhar.Passava madrugadas inteiras rascunhando idéias para seu livro,sozinho. Só chá e conhaque era o que o aquecia.Enrolado no edredon, computador ligado,meias encardidas de arrastar no piso empoeirado do seu apartamento,às vezes cochilava encima da escrivaninha, quando não se distraia tricotando. Era rápido com a lã, em poucos minutos tecia até 15cm de malha....MC²


Quem pode ser qualquer um mas OUtro não.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

CHUCHU ZUEIRO

chuchuzinho prantado na minha roseira , vai subindo, subindo, embrenhando pelos canto, fazendo sombra refrescando sugando caldo da terra servido com angu e quiabo na panela de pedra... êta que eu vi um chuchu se enroscando pro lado dumas rosera... tava todo atrevido soltanu uns espinho e um leite aguado desses que solta na mão quando se panha a fruta ainda verde no pé... É minino... lá vai ele, chuchuzeiro sem as vergonha, assanhando pelas frestas de luz... te digo que um dia ainda apanho esse cabra e sirvo quente na minha marmita...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

CABEÇA DE TERRA

MC²

As pessoas me pergunta qual meu nome e eu não sei... aliás eu sei sim... às vezes sou Sabrina, outras vezes minhoca, rosa, ponte, pé... Não gosto de ter um nome só não... prefiro ser o que eu quiser, conforme abre o dia já sei o que eu quero ser...Outro dia a mulher queria comprar comida pra mim, aí veio conversar querendo saber meu nome... ela tomou um susto porque naquele dia eu me chamava morte...ela foi embora correndo...
Também não tenho casa não, prefiro as paradas. Eu vou parando...mas nunca paro de andar... gosto de sai pela estrada, chegar numa parada... aí primeiro experimento a terra, se ela for boa fico uns tempo. O mais curioso é que num tem terra igual, cada uma é de um jeito, tem umas que são mais doce, outras mais salgada, tem umas colorida...Primeiro eu sinto na cabeça, ponho a terra na cabeça que é pra sentir suas vibrações, depois provo um pedaço...às vezes faço até um cigarrinho... Já aconteceu de prova a terra quando to indo embora e a terra tá diferente...quando isso acontece fico curiosa pra saber o que eles tão colocando nela...
A coisa que eu mais gosto de fazer é ver o sol escondendo atrás dos morro. Quando chega no final da tarde, gosto de parar, fica quietinha só olhando pro céu... dá uns barato muito louco, muito melhor que uns chás que a gente toma aí no meio do mato...Teve uma vez que achei que o sol tava dentro de mim...achei que ia derreter, começou a saí água do meu corpo todo... das costas, dos pé, dos olhos, achei que eu nunca mais ia para de escorrer.... Menino o negócio era bom demais... fiquei um tempão parada só escorrendo, depois parece que alguém tinha atiçado fogo em mim... saia pulando que nem um cabrito, rindo que nem bobo...tudo que olhava ria e tudo que via parecia que tava dentro de mim, eu era um tanto de coisa ao mesmo tempo...doidera doida demais...
Não gosto de ter medo, uma vez eu tive muito medo....tava na estrada de bobeira fazendo uma curva cumprida e bem fechada... um cachorro me resolve atravessar a estrada bem no meio da curva...aí veio um desses caminhão grande, sabe? É esses bichão grande que a roda é do tamanho da gente... aí o caminhão veio lenhado passou encima do cachorro e o cachorro explodiu, voou pedaço pra tudo conte lado... sabe bola de sabão quando estoura, quando ce vê num existe mais....não aguentei chegar perto... fui embora... mas fiquei com tanto medo que o espírito do bichinho viesse me perturba que acabei voltado lá, num tinha mais nada, mas ainda encontrei uns ossos num cascalho lá.... enterrei o bichinho, rezei e até cantei um hino:
“Vai com Deus bichinho, vai com Deus bichinho, vai com deus....em paz e com os anjinhos”.
Eu sou a rainha do sofá, já encontrei tanto sofá legal na rua, o último que achei era vermelho e grande, dava até pra ter uma coleção de sofá. As pessoas podiam adotar os sofás, eles devem se sentir muito abandonado...um dia ainda vou fazer um prédio de sofá, tem tanta gente que quer ter uma parada só sua...Esse povo que gosta de faze a rua de parada acaba bebendo demais, tão tudo podre de tanta cachaça é gente que pensa pouco ou já pensou demais aí fica tudo lelé...num são bom da cabeça porque fica parado, num anda nem um tequinho...acho que querem tudo ser estrela, fica aí na rua, um dia vem alguém aí grava os cara, e os cara vira artista, passa na televisão. Eu gosto de vê televisão, às vezes tem numas parada na beira da estrada...quando é assim fico vendo um tempão. Vi uma vez um menino loirinho, era um príncipe que cuidava de uma rosa, depois encontrava com a raposa... ele vivia num mundo diferente...depois que vi esse filme comecei a prestar mais atenção onde eu piso vai que to pisando numa flor...Eu gosto das novela também, só acho que tem muita gente ruim, né?
O povo das novela é muito invejoso, brigam por qualquer coisinha, se eu um dia encontrar com eles vou falar pra eles não ser tão assim ruim...
Eu sou boa roubo pouco, mato menos.
Pessoas escorrem pelos dedos,
bundas, nervos
Pessoas correm de medo
de perder o trem
correm de medo
de amar quem lhe quer bem

Pessoas que correm
escorrem olhares
frouxos velozes
tensos pobres

Escorrem pessoas dos prédios
sem história
desconexos
trôpegos de tédio

Pessoas escorrem
discorrem o trágico fim
de algum dia ensoparem
em qualquer canto vazio


segunda-feira, 24 de março de 2008

TERROR:
sangue, armas, bombas, nenhuma razão
ou as mais justas, mais sérias, mais revolucionárias
Terror aterro embotamento
Explosão
Pelo tenro amanhã, o Terror.
Silêncio

domingo, 17 de fevereiro de 2008

De Arquiteto e Imperador Nós Temos um Pouco

O acidente incidente promoveu o encontro dos quatro
dentre eles Imperadores, Arquitetos, Mineiros e Santistas
debaixo da terra, no buraco quase inóspito,se não fosse as baratas gigantes, as almas das personagens, os fantasmas reminiscentes e ,claro, o rapaz chamado Ricardo que dificil vê a luz do dia.
O fato é que nessa caixa ilha consagramos o trabalho de dias
O nossos despertares eram pálidos e preocupados
Fizemos os cavalos mais exóticos,
Cruzamos zebras, cabritos, patos, galinhas
Perguntamos sobre a felicidade
Abrimos feridas, frieiras
Demos faxina
Começamos a limpar aquilo que convinha
Deixando as energias cotidianas em busca de novas formas de vida
A exposição, o cansaço, a ansiedade, atacaram como inimigos
Os medos fizeram-nos agachar nas nossas trincheiras esperando que tudo pudesse acabar logo

Fomos à vários lugares dentro de um

Encontramos personagens, nossos próprios personagens

Por um tempo pensamos comandar a natureza, várias vezes acendemos e apagamos as luzes. Fizemos assim sem saber porque... mas por causa das nossas inseguranças tivemos que poupar nossa arrogância e impertinência, deixando a própria mãe natureza curar as dores, acalantar as angústias, trazer consciência para as impulsividades...

Respiração pra construir e ter coragem de remar a outras ilhas...


Amor pra entender que realmente não temos sorte


Porque não precisamos de sorte quando conhecemos a filosofia


Não precisamos mais de tanta civilização


Se a morte deve ser comida, digerida, absorvida cada dia


Apostar que a vida têm justificativa, é pra quem não tem coragem de se perceber


Portanto, Viva Nus!!!!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

SABE COMO EU IMAGINO A FELICIDADE?

A felicidade é parar o tempo ao lado da vida
e perceber que se o tempo não passa a vida não acontece
os sentimentos e as emoções não transformam
e perceber que a vida é o tempo escorrendo da cabeça aos pés
virando lágrimas, saliva, suor.
E quando o tempo ainda não tiver fim
a vida renasce na morte
girando ao avesso
recomeçando fértil criança
nos milésimos, centésimos de segundos, segundos, minutos
A sequência vira arte...Felicidade